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BASTIDORES

Por que criamos o Xerife

Não começou com 'vamos fazer um app de finanças'. Começou com uma planilha que eu não alimentava + um contador que só queria o CSV do mês.

21 de abril de 2026

O Xerife não nasceu da ideia de “vamos disputar o mercado de apps de finanças com o Mobills”. Isso é história bonita pra pitch deck, mas é mentira.

A verdade é mais chata: eu tinha uma planilha do Google Sheets. Ela ficava aberta o mês inteiro numa aba do navegador. Eu não alimentava. Um mês, dois, três. Aí no fim do ano eu sentava num sábado de dezembro, olhava seis meses de extrato do banco, e tentava lembrar o que eu tinha feito em agosto. Não lembrava. Colocava tudo em “outros”. Mandava pra minha contadora.

Minha contadora respondia, educadamente, que “outros” não era uma categoria. E me mandava uma planilha dela, dizendo “preenche essa”.

Isso foi por anos.

A gota

Em 2026, eu percebi duas coisas que eu sabia mas nunca tinha juntado:

  • Eu já usava WhatsApp pra tudo. Recibo, nota, “anota aí que comprei ingresso de R$ 80”, “tive uma reunião até tarde e gastei R$ 200 em jantar”. Isso tudo já passava pelo WhatsApp: em grupos, em mensagens pra mim mesmo, em bilhetes que eu mandava pra esposa.
  • O que minha contadora precisava no fim do mês era um CSV com data, valor, categoria, descrição. Só isso. O ritual inteiro que eu tentava fazer na planilha era um mecanismo pra gerar esse CSV. Toda outra coisa (painéis bonitos, metas, alertas) era acessório.

Se eu já tava mandando os dados no WhatsApp, e o output final precisava ser um CSV, por que tinha uma planilha no meio?

Como funcionou o protótipo

O primeiro MVP foi um bot do Twilio + um script Python que gravava mensagens num banco Supabase. Uma tarde de trabalho. Eu mandava “gastei 89 no mercado” e aparecia uma linha no banco. Aí eu queria filtrar por mês, então botei uma view no banco. Aí eu queria comprovante, então coloquei upload de imagem. Aí eu queria resumo, então coloquei um agente Claude pra ler o banco e responder. Cada pedaço veio de uma dor pessoal minha, não de um roadmap.

Três meses depois eu tava usando o sistema. Minha contadora estava feliz. O CSV vinha arrumado. Eu não abria planilha nenhuma.

Por que transformar em produto

Uma coisa que me chamou atenção foi que toda vez que eu explicava isso pra um amigo (“mando os gastos pelo WhatsApp e um bot organiza”) a reação era “espera, você tem isso funcionando? quero”. Cinco amigos, cinco quero. Eu tinha construído pra mim e descobri que o problema não era só meu.

Aí veio a decisão: transformar num produto que outras pessoas pudessem usar, com paywall, com suporte, com tudo que um produto precisa. Isso é um trabalho completamente diferente de construir pra si mesmo. Mas o insight que importa (o de que o WhatsApp é uma interface melhor que planilha pra rotina financeira) esse veio de um problema real, não de análise de mercado.

O que o Xerife não é

Não é um banco. Não é uma conta que rende CDI. Não é um concorrente do Nubank nem do Mobills. É um meio de termo: um PFM (personal finance manager) que conversa em vez de mostrar tela.

Tem muita coisa que o Xerife ainda não faz: Open Finance, investimentos, cartão multibandeira, pagamento de conta por Pix. Elas vão chegar no tempo certo, com o time certo. Por enquanto, a gente resolve bem uma coisa: “como chegar no fim do mês sem refazer a vida financeira na planilha”.

Se esse for o seu problema, bem-vindo. Se for outro, a gente talvez não seja o produto certo ainda. Isso a gente fala aberto no pricing e no comparativo com o Mobills.

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