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MEI

Teto do MEI: como saber quanto falta antes de estourar

O limite de R$ 81 mil é sobre o que entrou, não sobre o que você notou. Quase todo MEI descobre isso tarde.

26 de julho de 2026

O MEI tem um teto de faturamento de R$ 81.000 por ano. Todo mundo sabe o número. Quase ninguém sabe onde está em relação a ele.

E o problema não é preguiça. É que o número certo é mais difícil de montar do que parece.

O teto é sobre receita bruta, não sobre nota emitida

Esse é o erro mais caro e o mais comum. Muito MEI acompanha o teto pelas notas que emitiu, porque é o que dá pra contar com facilidade. Mas o limite é sobre receita bruta: tudo que entrou pela empresa no ano, com nota ou sem.

Se você presta serviço e emite nota pra metade dos clientes, sua conta de teto está pela metade. Você vai chegar em novembro achando que tem folga e não tem.

A conta certa é: quanto de dinheiro da empresa entrou nesse ano. Pix, transferência, dinheiro, maquininha. Tudo.

Se você abriu o MEI no meio do ano, o teto é proporcional

Não são R$ 81 mil no primeiro ano. É proporcional aos meses de atividade, contando o mês de abertura: R$ 6.750 por mês.

Abriu em setembro? São quatro meses (setembro a dezembro), então seu teto naquele ano é R$ 27.000. Esse é um detalhe que pega muita gente que formalizou no segundo semestre e faturou bem.

O que acontece de fato se você passar

Depende de quanto você passou. São dois cenários bem diferentes.

Até 20% acima (ou seja, até R$ 97.200): você declara o excesso na DASN-SIMEI, paga um DAS complementar sobre o que passou e continua MEI no ano seguinte. Dá trabalho e custa dinheiro, mas é contornável.

Mais de 20% acima: o desenquadramento é retroativo ao início do ano. Na prática, você é tratado como Microempresa desde janeiro, com os tributos do Simples Nacional recalculados sobre todo o faturamento do período — não só sobre o excedente.

É por isso que estourar o teto sem perceber é o pior erro que um MEI comete. Não é uma multa. É o ano inteiro reprecificado.

Passar do teto não é necessariamente ruim

Vale dizer com todas as letras: faturar mais de R$ 81 mil significa que o negócio cresceu. Virar ME não é fracasso, é o próximo degrau.

O que dói não é crescer. É crescer sem ver, ser pego em maio do ano seguinte por uma conta retroativa que ninguém provisionou. Quem enxerga em setembro que vai bater o teto tem escolhas: segurar faturamento pro ano seguinte, ou planejar a transição com o contador e provisionar o custo. Quem descobre depois não tem nenhuma.

Como acompanhar sem virar planilha

O mínimo que funciona:

1. Separe o dinheiro da empresa do seu. Sem isso nenhuma conta de teto fecha, porque você nunca sabe se aquele Pix de R$ 800 foi cliente ou foi seu irmão te pagando o rango.

2. Conte o que entrou, não o que você notou. Se você só soma notas, some também o resto — separado, pra enxergar a diferença.

3. Olhe o ritmo, não o total. Saber que você está em R$ 40 mil em julho não diz muita coisa sozinho. Saber que nesse ritmo você fecha o ano em R$ 92 mil diz tudo.

Esse terceiro ponto é o que quase nenhuma planilha faz e é o único que te dá tempo de reagir.

Onde o Xerife entra

O Xerife tem uma parte específica pra MEI: cada lançamento é marcado como empresa (PJ) ou pessoal (PF), o teto conta o que entrou de verdade na empresa no ano, e mostra o faturado em nota como uma linha separada — pra você ver exatamente o tamanho da diferença entre os dois.

E projeta: no seu ritmo atual, em que mês você bate os R$ 81 mil. Tudo pelo WhatsApp, que é onde você já está.

Se passar, ele mostra o caminho de acordo com o tamanho do estouro — até 20% e acima de 20% são conversas diferentes.

Este texto é informativo e não substitui seu contador. Regras tributárias mudam; confirme valores e prazos no Portal do Empreendedor e no PGMEI.

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